Pixo: entre o vandalismo, a arte e aquilo que gera o dialogo

Juventude Em Movimento
7 de fevereiro de 2017

Imagem retirada do longa metragem “Pixo”

Recentemente, os paulistanos começaram reafirmar defesas ou críticas sobre aquilo que nunca foi motivo para grandes rebeliões: o pixo. Desde o início da década de 80, o pixo é algo costumeiro, não só na cidade de São Paulo, como também no Brasil e no mundo. Mas afinal, pixo é arte ou vandalismo? Qual é a opinião dos jovens sobre esse assunto ?

Bruno Barrionuevo, de 27 anos, nascido em São Paulo capital e estudante de psicologia, é a favor do pixo e explica que “pixo é cultura e que se trata de uma manifestação artística, sim (…) Funciona como um grito, uma expressão de que aquela parcela da população está viva, que existe. Precisa de atenção e está inserida no dia-a-dia da cidade, mesmo sendo silenciada todos os dias.”

Ele também afirma que “apagar o pixo é calar a voz de quem incomoda pelo simples fato de existir”.   Invertendo os olhares sobre o assunto, Vitor Pais, de 16 anos, natural de São Paulo, cursando o 2º do ensino médio, pensa diferente, pois para ele  “não é uma forma de arte (…) é algo que polui visualmente a cidade, deixa as paredes sujas, com coisas que ninguém entende direito”.

Vitor afirma também que entende as pessoas que apoiam o grafite, pois é algo bonito, mas alguns são indecifráveis: “se eles pintassem de uma forma que passasse melhor a mensagem, seria melhor para todos que possuem acesso a ela”.

E em meio a toda esta discussão, surgiram questionamentos quanto ao público e o privado, com direito a diversos vídeos defendendo ou criticando a existência do  pixo nos lugares públicos de São Paulo. “Eu acredito que o pixo (ou até mesmo o grafite) perde o senso político quando, por exemplo, cria-se um espaço pra artistas pintarem a céu aberto recebendo por isso. Apenas como modo de contemplação, sem uma mensagem a ser transmitida”, explica Bruno.

Mas não para por ai, na mesma linha de raciocínio, Vitor explica que “é uma escolha do cara se ele faz isso em algo com o domínio dele. Mas somente com coisas que forem dele, pois polui visualmente nossa cidade e também vandaliza vários bens privados”. A partir de tudo isso, é bem fácil ver o quanto o tema possui opiniões diferentes e intensas discussões sobre arte e domínio.

Apesar das controvérsias, é interessante observar o crescimento da defesa e da luta do jovem por sua cultura, sendo essa o pixo nas ruas de São Paulo, os grafites estampados nos muros ou as artes expostas em famosas galerias de arte. Mais do que isso, é incrível ver o empenho de cada grupo em defender aquilo que acredita e até abrir espaços para falar sobre o que, muitas vezes, é esquecido: a arte e a cultura que  esbarramos todos os dias nas redes sociais ou nas ruas.

Por fim, mesmo com as criticas quanto à cidade, que só faz ficar mais cinza, e as várias mensagens criptografadas pelos pixadores, que não contemplam o gosto de todos os paulistas, ganhamos um colorido quando pensamos que hoje existem questionamentos, debates e discussões antes inexistentes entre os jovens.

O cinza apagou marcas e o colorido nas paredes, mas gerou um colorido ainda pouco perceptível: as discussões sobre temas esquecidos e que diariamente são abafados, os questionamentos de pessoas que não concordam com tudo aquilo, mas que finalmente estão procurando saber o porquê aquilo existe, e o debate construtivo entre diferentes visões que buscam conciliações para o melhor crescimento da cidade. É a dinâmica da juventude que nunca morre e sempre se refaz, só que desta vez se refez por algo muito mais simples: a troca de palavras.

 

Um pouco sobre a autora:

Amanda Letícia, 19 anos, moradora do bairro Pazzine, Taboão da Serra, é apaixonada por escrever, dançar e viajar. Nos tempos livres curte se reunir com os amigos, ver boas séries e sair por São Paulo para fotografar. Desde novembro de 2016 integra o Coletivo de comunicação do Em movimento, iniciativa que reúne três jovens da cidade para cuidar da mobilização social e comunicação institucional do Em movimento. Fale com ela no e-mail: adaah.leticia@hotmail.com.